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A IMPORTÂNCIA DOS FESTIVAIS














Os encontros são importantes por serem encontros. Redundâncias de momentos únicos. Um encontro nunca é igual ao outro, por isso é um encontro. 
Os festivais relembram-nos que não estamos sós e que podemos e devemos nos nutrir umas às outras. Não sei ao certo se hoje mais que nunca sermos mulheres, artistas e cidadãs é um ato de resistência, logo um posicionamento político. 
E para desfazer eventuais mal-entendidos, um posicionamento político não é necessariamente um posicionamento partidário. Os partidos dividem-nos, partem-nos e urge tranquilizarmo-nos e olharmos com cooperação uns para os outros, umas para as outras. Aí está o fortalecimento. 
O que nos une? O que nos toca a todos o coração? Bom, lá terei de cair num grande clichê o Amoooreeeeee! 
Mas quem é esse Amor? É antes de tudo sermos seres plenos e falíveis, caminharmos com a dignidade da nossa vulnerabilidade. A vulnerabilidade é uma força e não uma fragilidade. Vulnerabilidade é prontidão para aceitar as circunstâncias e vicissitudes que a vida nos apresenta. E é nessa vulnerabilidade, nessa disponibilidade para nós e para ‘outro’ que nos identificamos entre nós,  fazedores da arte do ridículo e outras pantominices e teatradas e público. Enfatizamo-nos.
Todos os tempos são tempos em que a arte, a educação pela arte é necessária. Investir na arte é um gesto de cidadania. Relembra que a Humanidade é capaz de criar e de cultivar a arte do encontro e da troca. 
Os festivais promovem essa troca de saberes e abre e relembra que vale a pena continuar a sonhar sonhos realizáveis. Viver da arte, ser artista é um sonho realizável e possível de vivermos, sustentarmo-nos dessa profissão que mais que um entretenimento tem a função social de resignificarmos a cada instante a nossa existência. 
Uma sociedade sem arte, sem cultura é uma sociedade desvitalizada, autocondenada. Questionar, refletir, rir de coisas sérias e bobas para espantar o medo da doença, da morte, do definhamento faz parte do da lista de funções sociais.
Eu estou muito feliz de poder fazer parte dessa grande família, dessa grande rede cósmicómica em que os festivais não fazem o papel de maratona e avaliar quem é melhor que quem e sim questionarmos e melhorarmos o nosso fazer performático duma forma cooperativa, solidária, dignificante almejando mais e mais qualidade. 
Os festivais possibilitam-nos conhecer e dar a conhecer o nosso trabalho. Quanto mais encontros, mostras, festivais, cabarés houverem mais o nosso trabalho torna-se criterioso. Exigirmos de nós mesmas excelência sem competição além de saudável é competente.
Nesta nossa profissão, que é a arte da doação, de aparecer, de fazer aparecer, de ter voz, de escutar e ser escutada, de ter foco, dar foco, dividir foco. 
Quem é competente não necessita de ser competitivo; sendo que estamos falando e praticando a arte da palhaçaria, a arte do ridículo é ridículo reproduzirmos o que já está aí que é a violência da comparação gratuita, da carência de solidariedade. 
Riamos então desse ridículo que somos nós nas nossas misérias humanas, instinta ou culturalmente. Quando nos rimos de nós mesmos olhamos a nossa sombra de frente e acolhemos a mesma com carinho. Os festivais são lugares de acolhimento, são provas da possibilidade em continuar esta longa caminhada que é nos transcendermos como seres humanos, sujeitos sociais e históricos. 
Os festivais terem a possibilidade de serem internacionais para que os nossos horizontes se alarguem que olhemo-nos a nós mesmas e às nossas companheiras com distanciamento e alteridade. O encontro, assim como a viagem, obriga-nos a sair da nossa zona de conforto e nos jogarmos no abismo do momento, com a possibilidade de podermos voar. 

Escrito por Ana PIU

Comentários

  1. Além de nós artistas, reconhecer a importância desses "encontros" e trocas que acontecem em festivais, para o fortalecimento da Arte e do fazer artístico, o interessante seria que governantes e sociedade privada, tais como as empresas, entendessem a importância de se apoiar e patrocinar tais eventos, para viabilizar o acontecimento destes encontros, tão importante para a sociedade. Agora a questão é, como sensibiliza-los? E como convence-los de que eles e suas famílias também fazem parte desta sociedade cada vez mais doentia e necessitada de ARTE e vida.
    ARTE É VIDA!

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